terça-feira, outubro 10, 2006


«I did it!...
And it's all thanks to the books at my local library»

In: FUTURAMA. – “The Day the Earth Stood Stupid”

domingo, setembro 24, 2006

An Inconvenient Truth

The movie trailer for the most terrifying film you will ever see.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Samir Kassir, 1960-2005
Professor universitário, jornalista e historiador, filho de pai libanês e de mãe síria. Activista de esquerda, foi um forte defensor da causa palestina, da democracia para o Líbano e para a Síria. Levantou a voz contra a presença síria no Líbano. E possivelmente por isso, foi assassinado em Beirute em Junho de 2005. Os responsáveis permanecem desconhecidos. Nestas férias tive a honra de ler o seu excelente livro «Considerações sobre a desgraça árabe» publicado pelas edições Cotovia. A este respeito creio que o conflito no médio oriente é um conflito de direitas. Entre os neo-conservadores cristãos e judeus (ainda que por vezes disfarçados de democratas ou trabalhistas) e os neo-conservadores (ou fundamentalistas) islâmicos, que curiosamente foram financiados pelos primeiros quando combatiam os comunistas islâmicos (hoje praticamente extintos). Esta é a minha opinão, não creio que seja a do Samir. Ele não é tão simplista como eu.

quinta-feira, maio 11, 2006

Mito urbano: a esquerda monopolista da Justiça social
Rights of labour were as sacred as the rights of property.
Benjamin Disraeli (1804-1881) Primeiro-ministro Conservador britânico.

quarta-feira, maio 03, 2006

Debate sobre Civilização: o humor
God bless humor!

quinta-feira, abril 27, 2006


Apesar de ser público e notório que portugueses e irlandeses (sejam eles católicos ou protestantes) pertencem à mesma civilização, a comunidade portuguesa, juntamente com os magrebinos, paquistaneses, chineses e filipinos continua a ser vitima da violência cega por parte dos aficionados da extrema direita irlandesa. Alguém é capaz de explicar a estes simpáticos patrícios da direita irlandesa que os tugas pertencem à mesma civilização que eles? É pois necessário e urgente camaradas, que parem de nos bater. Nós e os filipinos somos todos cristãos. Limitem-se por conseguinte a espancar os chinocas, os monhés do paquistão e os mouros do magreb, esses sim, filhos de civilizações inferiores que estão a conspurcar a nossa velha europa! Obrigado.

sexta-feira, abril 21, 2006


Bom! Quanto à crítica que fazes ao Tariq Ali o que é que posso dizer. Eu também sou de esquerda e apesar de não concordar com a política externa do Tony Blair (que também é de esquerda) não me importava nada de viver em Londres. De estudar em Oxford. Bastava arranjar um trabalho a servir cafés na cafetaria da British Library e ia logo. Também não gosto do Bush e se pudesse escolher um país para morar, morava nos Estados Unidos. É lá que estão os melhores professores e os melhores cientistas do mundo na minha área (que felizmente não são republicanos). É lá que ainda existem as melhores bibliotecas e onde o trabalho de bibliotecário se processa com maiores índices de qualidade. É lá que existem mais investimentos públicos em bibliotecas em todo o mundo (apesar de ter decaído umas valentes décimas durante a administração Bush). Por este motivo e só por este motivo acho que o artigo do João Pereira Coutinho é mau. É muito mau. “Engordar em Londres”? É baixo! É a inexistência total de argumentos. O João Pereiro Coutinho só não engorda em Londres ou em Nova Iorque porque não pode. Porque tal como eu não tem competência nem para a servir cafés no bar do The Guardian. Agora o desejo de trabalhar em Londres ou em Nova Iorque não se pode confundir com o fim da liberdade de expressão. Não passo a ser um pateta sem opinião e sem motivos de crítica para com os países para onde gostaria de ir, estilo actores das telenovelas brasileiras quando chegam a Portugal, só porque desejo lá viver. Então não são vocês, guardiões da civilização que tanto defendem a suprema liberdade de expressão. NÃO DIZER MAL DO PAÍS DE ACOLHIMENTO é uma (a primeira de muitas) excepção? «Defendemos a liberdade de expressão mas:
Não se pode dizer mal de nada na Inglaterra e viver em Inglaterra
Não se pode desenhar preservativos no nariz do Papa...»

Na verdade até é possível que concorde com as opiniões do Tariq Ali. Não é preciso ser um visionário para perceber que os Brasileiros que continuam a viver em condomínios estilo Rocinha (que devem ser cerca de 50% dos brasileiros) têm piores condições de vida do que a media da população de Cuba ou da Venezuela. Não o posso afirmar com total segurança, pois não possuo dados concretos, mas não me admirava nada. Não me admirava que a esperança de vida, a assistência médica o acesso à educação entre outros direitos fundamentais, sejam muito superiores na Venezuela e em Cuba que no Brasil. Conheço mais dentistas portugueses com pós graduações em Cuba, do que todas as carreiras juntas no Brasil. Também não é à toa que a esquerda brasileira já chama de traidor ao Lula. Na verdade tenho de ler mais artigos do Boaventura Sousa Santos que escreve muito bem sobre a sociedade braseira.

O que escreves é verdade. Mas também é verdade que a exploração dos poços de petróleo nos países amigos do Bush (Arábia Saudita e Koweit) e nos países onde houve "intervenção" da civilização norte americana (Sudão e Iraque) é controlado por empresas americanas! A civilização chinesa vai controlando África e a civilização Europeia (França e Alemanha) anda a apanhar bonés...o resto é a civilização dos pardais.
Por falar em pardais, sabes que as French Fries nos Estados Unidos passaram a Friedom Fries. Ora aí está mais um choque de civilizações!

Há dias assim

Bom dia para afirmares que a gasolina é baratinha nos Estados Unidos. De facto é mais barata que cá, pelas minhas contas deverá rondar, nesta altura, os 63 cêntimos o litro (*), mas nós, pura e simplesmente, não temos produção petrolifera e, por certo, temos mais impostos sobre o combustível que eles. Mas digo que é um bom dia para afirmares o que afirmas, porque o The New York Times, hoje, traz na 1ª página o seguinte título: Democrats Eager to Exploit Anger Over Gas Prices.

__________________________
* 3$ o galão (US), dá 2,43€ por 3,846 litros. O que leva a 0,63€/L.
[1 gl(US)=3,846L/1€=1,234$]

O Bem! Era uma vez um presidente muito bonzinho. Muito bonzinho. De cada vez que ouvia falar de um presidente mau, ía lá com os seus valentes soldadinhos e prendia o presidente mau. É claro que esse presidente bonzinho só ia lá para ajudar as pessoas que sofriam muito por causa do pesidente mau, não ia lá tirar as coisas das pessoas boas. Os meninos e as meninas quando viam chegar os soldadinhos bons corriam para eles e comiam rebuçados e chocolates. Os soldados bonzinhos eram tão bonzinhos, tão bonzinhos que nunca faziam mal a ninguém, nem aos soldados muito maus do presidente mau. Uma coisa que também nunca acontecia era morrerem pessoas acidentalmente por causa dessas coisas. Às vezes as bombas dos bonzinhos caiam acidentalmente em casa dos meninos e das meninas, mas felizmente eram sempre casas onde viviam pessoas muito, muito más. Quando os maus eram presos, o presidente bonzinho dáva-lhes umas roupas amarelas muito giras e mandáva-os para uma ilha tropical com muitas prais e muito sol. Que sorte! Era mesmo muito bonzinho.

Boa noite Filipe e boa noite Luísa,
E agora tá na hora de fazer ó-ó...

- Olá Pedro tás bom? Atão a como é que anda o preço da gasolina aí em baixo? Aqui em cima tá pela hora da morte! Parece que n’ América é baratinho. Não consigo imaginar porquê?...

Abraços,
Adal
[Democratas liberais e conservadores de todo o mundo, uni-vos!]

Tariq Ali
O meu amigo Ad Al Berto Mustafa - acreditem os poucos leitores que aqui passam - é boa gente, bem formado e informado, mas, infelizmente, e estas desgraças tocam a todas as famílias, é irremediavelmente de esquerda num Mundo onde a esquerda é anti-nova e ultra-nova. É anti-nova porque desenvolveu uma curiosa adulteração do prefixo neo que aplica atrás de tudo o que pretende denegrir (da mesma forma que a velha esquerda chamava de fascista tudo o que o não fosse socialista): veja-se a forma como falam de conservadores e liberais chamando-lhes neoconservadores e neoliberais, mesmo que estes continuem, como bons conservadores, estoicamente velhos! Isto, ao mesmo tempo que se reunem à volta das new left e das nouvelle gauche.
Ora o Ad Al Berto resolveu mobilizar, como exemplo de um "árabe gigante", o paquistanês Tariq Ali. Eu hesitei. Confesso que nem soube por onde começar para responder a convocatória de tão inefável criatura, mas depois lembrei-me deste artigo do João Pereira Coutinho, e considero a resposta dada.

quinta-feira, abril 20, 2006


O mal
Um Estado que: (i) desenvolve um programa nuclear contra todas as recomendações da comunidade internacional, (ii) defende a aniquilação do estado de Israel, (iii) alimenta relações próximas com organizações como o Hammas e o Yezbollah e (iv) demonstra um absoluto desprezo pelos outros, pelas suas convicções e pelo seu modo de vida e, em consequência disso, defende o seu extermínio é, aos olhos da minha civilização, uma profunda ameaça não só regional, mas planetária, que tem, mais uma vez aos nossos olhos, de ser parado.

É claro que podemos sempre ver as coisas de outra forma.

Podemos pegar no adufe e entoar lindas cantigas sobre a grandeza do Império Persa. Podemos ir a Porto Alegre lastimar a vida miserável da larga maioria dos iranianos e assacar a responsabilidade desse facto aos Estados Unidos. Podemos, na aula magna da reitoria da Universidade de Lisboa, fazer um comício dos tempos modernos e criticar a “sinistra” real politik norte americana; amplificando ad nauseum o que nos interessa e escamoteando tudo o resto. Podemos ligar a Avenida da Liberdade à Embaixada dos Estados Unidos com um gigantesco cordão humano de gente solidária, vestida de branco, em silêncio, num apelo à “Paz” ou, então, gritar freneticamente os maiores impropérios que nos ocorram à porta da mesma embaixada queimando bandeiras norte americanas e fotografias do George Bush.

Sobre as atrocidades da guerra, o esforço necessário para a evitar e a ignominia da mesma é evidente que estamos de acordo, mas a ser inevitável, prefiro que ela decorra no território do inimigo, do que acordar um dia pela manhã (ou, eventualmente, pura e simplesmente não acordar) com a notícia internacional mais indesejável de todas!

terça-feira, abril 18, 2006


«Cultura ocidental»? «Homens livres do ocidente»?
Geograficamente onde começa? Em Anchorage (Alaska) e onde termina? Na fronteira oriental da Europa? Nos Urais? Ou vai apenas até Viena? De Orleãs até Viena passando levemente pelo norte de Itália, como diziam as elites parisiences no século XIX? E a Austrália? Também se inclui? Ou apenas os descendentes dos Europeus? E a América Latina faz parte deste conceito incluindo os chicanos que morrem eletrocutados na fronteira do Rio Grande?... Os Japoneses certamente não serão homens livres do Ocidente? Nem os chineses de Hong Kong? A Ucrânia é um país de cultura Ocidental? É Cristã... São brancos.... mas têm uma ditadura. Ah já sei! Se derrubarem a ditadura passam a pertencer ao clube da civilização ocidental. E aTunisia? E Marrocos? São um democracia? Têm partidos políticos ao estilo dito ocidental? Os únicos que foram proibidos de concorrer nas eleições foram os fundamentalistas islâmicos? Têm imprensa livre? Marrocos até tem uma familia real que aparece na Hola? Não! Não pertencem porque são muçulmanos infieis! E a Rainha Nor da Jordânia que nasceu nos EU? É um homem livre do ocidente? E os turcos, como é que estes ousam pertencer à UE?... Não? Tal como os bósnios e os kosovares que apesar de brancos e caucasianos, são muçulmanos... Ocidentais, ocidentais são apenas os WASP (White Anglo Saxonic and Protestat) como afirmam as elites fundadoras do Massachussets? Ou os arianos como defendiam os nacional-socialistas alemães? Mas os arianos não são os mesmos gajos que há cinco mil anos invadiram aquilo que hoje é a Índia? E a África sub saariana? O que são?... E a África do Sul? A África do Sul é fácil. Os brancos são homens livres do ocidente e os pretos... bom, os pretos são homens pretos do ocidente! E os judeus? Esses sim, mas os judeus pretos da etiópia nem pensar!... Era o que faltava! Bom, em termos geográficos não é fácil determinar quem são os homens livres do ocidente. Vamos experimentar em termos históricos. Os homens livres do ocidente são descendentes de uma civilização que nasceu à cerca de três mil anos na Grécia? Nã... Esses tinham um alfabeto esquisito, e eram descendentes dos hititas. Começou com os romanos? Bem mas esses também eram politeistas, perseguiram e mataram cristãos (inclusive o próprio cristo) e tinham muitas mulheres como os muçulmanos. Não! Foi então com os celtas? Esses eram pagãos e acreditavam em bruxas? Com os bárbaros, visigosods, ostrogodos e suevos que partiram Roma toda aos bocadinhos?... Sim! Mas fomos interrompidos com as invasões árabes e voltamos à civilização com a libertação de Granada em 1485! Bom mas a seguir veio a Santa Inquisição? E o absolutismo? Ah já sei começa com a Revolução Francesa! 1789! É isso! Bom mas depois disso houve ditaduras. E duas guerras mundiais. E o Holocausto. E a bomba atómica. Não a civilização começa a partir de 1945? Mas o Salazar e o Franco continuaram? E os regimes de Leste? O.k. pronto com a queda do Muro de Berlim?... Bom assim também não dá. Vamos facilitar a coisa! É pela via religiosa. Quem é cristão ou filho de cristão. Judeu ou filho de judeu há pelo menos três gerações é um homem livre do ocidente. Quem não é... é um merdas do oriente! Olé, Olé... e quem não salta é muçulmano!... Olé, Olé.... e quem não salta é muçulmano!...
P.s.: Os lampiões e tripeiros também NÃO SÃO HOMENS LIVRES DO OCIDENTE, pois ser educado e civilizado é um requisito de admissão essencial. E para além disso alguém é capaz de me nomear o nome de algum lampião ou tripeiro que tenha descoberto o fogo, inventado a roda, a teoria evolucionista, a electricidade ou a bomba atómica? É claro que não! Em oito milhões de almas não há um que se destaque. É deplorável!

Re:

Bom, pelo andar da carruagem, o Ad Al Berto Musfata ainda se vai pôr, insistindo em confundir o acessório com o essencial, a citar o grande poeta Ibne Mucane, esse inspirado trovador de origem árabe, que pela primeira vez, em toda a Europa, cantou os moinhos de vento. Por certo, na leitura do meu “infiel” amigo, este habitante da freguesia de Alcabideche, em Cascais, é alma maior que o próprio Cervantes, que só almejou o reconhecimento com a obra D.Quixote, por manifesto favor desse árabe superior.

O que o Ad Al Berto Mustafa parece querer olvidar é que a maior parte dos árabes contemporâneos que cita é gente educada e marcada pela cultura ocidental, que sem prejuízo do amor às suas origens, a olha, a protege e a difunde com o espírito dos homens livres do Ocidente.

Um Ocidente que, apesar de também marcado por alguns traços culturais de origem não europeia, erigiu uma civilização imperfeita em torno do primado da protecção dos direitos fundamentais e das liberdades dos cidadãos. Mesmo que estes sejam diferentes, mesmo que estes pensem de forma diferente, mesmo que estes tenham outras origens. Uma civilização que tem consciência das suas imperfeições e dos seus erros. Uma civilização que tem e sabe que tem no seu seio gente intolerante e persecutória das diferenças. Mas, acima de tudo, e, sobretudo, acima do lado do mundo que o Ad Al Berto Mustafa parece querer branquear, persegue e pune com os menos imperfeitos instrumentos de Justiça que a História conheceu todos aqueles que não cumprem esse primado.

Num registo contemporâneo de análise sócio política internacional, salpicada com bom humor. Com excelente humor. Recomendo a leitura do historiador e romancista paquistanês Tariq Ali, traduzido em várias línguas (bem mais que o Nuno Rogeiro, certamente) e que colabora também com o Guardian e com o The Nation, para além de alguns jornais árabes. Boa leitura!

Em breve continuarei a divulgar nomes de árabes gigantes para comparar com os lusos anões à escala planetária...

Caro Pedro,
Parece-me que o teu problema é que tu confundes Democracia, Liberdade / Ditadura e Censura com diferentes civilizações. A Marjane Satrapi viveu e vive exilada na Europa de facto, mas nunca renunciou à sua cultura, às suas raízes, à sua identidade cultural nem nunca defendeu, por outro lado, a ditadura do seu país. A vida dos exilados é assim. Astor Piazzola viveu exilado e continuou a fazer tangos argentinos. Manuel Alegre viveu exilado e continuou a escrever versos em português. José Afonso viveu algum tempo exilado e escreveu música tradicional portuguesa. Picasso viveu exilado. Eduard Said (http://www.edwardsaid.org/), palestiniano, professor universitário, advogado, sociólogo e humanista viveu exilado e nem por isso deixou de ser palestiniano. O nosso único prémio Nobel, José Saramago (o outro não conta porque recebeu o prémio a meias e porque as suas teorias já foi postergadas pela medicina moderna) vive exilado desde que o governo do actual presidente da república resolveu censurar o seu título «O evangelho segundo Jesus Cristo» para um prémio literário Europeu. Creio mesmo que uma grande percentagem dos génios da humanidade, sejam das artes ou da ciência, viveram ou vivem no exílio. Quanto ao desafio dos nomes árabes… aproveito a vantagem que me concedeste em nomear nomes históricos para seguir por aí. Então lá vai. Começo pelas «Mil e uma noites» obra prima da literatura mundial atribuída a um árabe desconhecido. Omar Khayamm que escreveu os famosos poemas Rubbayat (não fica atrás do Shakespeare em nada) e é universalmente bem mais conhecido que o Camões. Também ao longo da história a literatura Persa foi famosa assim como grandes poetas e filósofos saíram dos califados de Bagdad, Granada ou da Síria mas posso-te nomear no Al-Andaluz o mais famoso que viveu em Beja foi sem dúvida Al-Mutamid. Mas para a maioria das pessoas que vivem na infinita ignorância, só os nomes dos poetas e sábios do regime são conhecidos. Estes nomes são portanto desconhecidos, porque são nomes dos vencidos (e esses não ficam na história oficial), mas são nomes importantes e que fazem parte dos curricula universitários em História da Literatura de todo o mundo. Camões certamente seria um poeta desconhecido se Portugal não tivesse recuperado a independência em 1640. Cervantes seria um escritor menor a nível europeu se a Península Ibérica tivesse ficado espartilhada em cinco estados independentes (Catalunha, País Basco, Galiza, Portugal e Castela). A matemática não existira no modelo actual se não fossem os árabes. Ainda fazíamos contas em numeração romana (essa civilização superior)… Ora representa-me lá (0,5 : 23,354 ) em numeração romana (a tabela numérica da civilização ocidental) se faz favor? O contributo árabe para a ciência e para a literatura foi indispensável para aquilo que conhecemos hoje e para o desenvolvimento que atingimos. Não tenho dúvidas, no entanto, que nos nossos dias quem puxa mais a “carroça” da ciência e da tecnologia são os EU e o Japão (sobretudo os primeiros), mas a se há uma coisa que a história nos ensinou é que as coisas não imutáveis e quem manda hoje pode ser o escravo de amanhã (e.g. civilização romana depois das invasões bárbaras), e cuidado porque a China já é neste momento portadora de conhecimento científico que os EU, o Japão e a Europa desconhecem. Simplificar a história com números assim analisados de uma maneira fria e simplista é ridículo. É o mesmo que dizer que os espanhóis são bons e os portugueses maus porque no Grande Atlas da Pintura surgem 20 pintores espanhóis dignos de figurarem na galeria da história universal contra 1 portuguesa (que também viveu exilada em França) quando eles têm apenas três vezes mais habitantes do que nós. Ou que o Portistas são melhores que os Sportinguistas porque ganharam a grande taça do orgulho mais vezes!... Balelas, meu caro. Balelas.

Ah! Ia-me esquecendo. Ultimamente li literatura islâmica em nomes como Amin Malouf ou Salman Rushdie (este último é uma espécie Saramago árabe uma vez que também foi censurado só que em vez de ser condenado pelo Sousa Lara – esse nosso nosso jihadista católico - foi pelos imãs islâmicos), mas apreciei mais o primeiro, em todo o caso. Na música gosto, entre outros, o trabalho de Nusrat Fateh Ali Khan (http://nusrat.com/) que já fez inclusivamente boas bandas sonoras (que há poucas!) para Holliwood.

Digo e repito. As civilizações são um mito. O que existe é a ciência e o conhecimento e os países que agora estão na vanguarda económica não têm problemas nenhuns em expulsar emigrantes portugueses cristãos (mas iletrados) e em contratar hindus ou muçulmanos geniais em informática. De qualquer modo se for obrigado a escolher uma civilização escolho uma que seja ateia.

Inch Allah
Adalberto
















Lucy in the Sky with Diamonds
(essa música fantástica do folclore Marroquino, tocada com adufe).

O meu amigo Adalberto é, de facto, um homem de esquerda. Nota-se não tanto por aquilo que escreve, mas pelo que aquilo que escreve desvenda da sua forma de olhar o mundo. O Adalberto é um lírico. Um sonhador. De resto, como a mais bem intencionada esquerda. É por isso que eu gosto tanto deles. Não sei se já aqui o afirmei, mas acho que tenho mais amigos de esquerda que de direita. E é por serem como são que eu gosto tanto deles (e neste particular, do Adalberto). É que sem poder não são perigosos e, enquanto assim, tornam o nosso dia-a-dia mais colorido. É claro que sabemos que aquilo é mera ficção e negação do real, mas é também verdade que chega a ser aprazível.

Mas vejamos melhor, o Adalberto quer fazer-me crer que Portugal estará mais perto da cultura do Magreb que daquilo a que chama o “mito” da civilização europeia. Fala de Marrocos, essa portentosa potência cultural e civilizacional, onde pontificam, entre os seus pensadores, alguns autores de algumas das obras fundacionais mais marcantes da nossa forma de pensar: El Al Shakespear, Moahamed Cervantes, Ali Mustafa Lavoisier, Galileu Al Rafa, Al Newton Basir, e tantos outros! Depois fala na Iraniana Marjane Satrapi, como que dizendo, uma vez mais, que as suas referências culturais e civilizacionais estão fora do ilusório perímetro do “mito” civilizacional europeu. Ora a Iraniana Mariane Satrapi não estudou no liceu francês, não assistiu e não se revoltou contra a castração dos direitos civis no Irão (esse país tão superior ao “mito” civilizacional europeu e muito mais parecido connosco que a França ou a Espanha), não foi estudar para Viena de Áustria aos 14 anos, não vive em Paris, nem tem uma coluna no The New York Times.

Meu querido Adalberto, assim, de repente, de Marrocos, só me lembro do Said Aouita, vencedor da medalha de ouro dos 5000 mt nos Jogos Olímpicos (essa outra grande herança do mundo árabe) de Los Angeles em 1984. E desafio-te a indicares um nome árabe, que seja marcante da “nossa” forma de pensar, por cada 100 nomes europeus que ajudaram a erigir o legado cultural do Ocidente.

É que sabes… entre os efeitos do LSD e a realidade vai uma distância tão grande como a que separa os valores do mundo Ocidental do mundo Árabe.

sábado, abril 15, 2006



Ilustração de Edmond Baudoin

Em 19 de Abril de 1506 escrevia-se uma das mais tristes páginas na história mundial do anti-semitismo. E essas páginas escreveram-se precisamente nas ruas de Lisboa. Na velha judiraria de Lisboa. Em Portugal portanto, no reinado de D. Manuel. E que páginas foram essas? Foram a perseguições brutais e a morte de mais de quatro mil cristãos novos. Foi a morte impiedosa e a tortura de milhares de antepassados nossos por outros antepasados nossos. É curioso também que no tempo de D. João II (o reinado anterior) aplicáva-se a tolerância e o país teve um nível de desenvolvimento sem paralelo na história. Vivia-se a tolerância porque em Lisboa existia o maior bairro negro da Europa de então. O Mocambo. Porque os mouros ainda não tinham sido expulsos e cooperavam com o rei, assim como festejavam com ele sempre que houvesse celebrações. E havia tolerância porque existia uma grande comunidade hebraica (os judeus sefarditas da Península Ibérica). Sábios, médicos, matemáticos. Senhores da ciências e das finanças. Mas com D. Manuel tudo isso terminou. Os mouros foram expulsos e os judeus perseguidos. Era o início da Santa Inquisição, em que o episódio mais sangrento foi, sem dúvida, o que teve início no dia 19 de Abril de 1506. A época era de fome e de seca. Em Lisboa alguns fiéis testemunharam uma estranha luminsidade sobre um crucifixo. Logo começaram os gritos de milagre! milagre!... Até que um homem reparou que aquilo não passava de um mero reflexo do sol e disse-o em voz alta. Azar o dele! Foi de imediato espancado até à morte e o seu corpo arrastado pelas ruas de Lisboa acusado de judeu pela população em fúria que numa avalanche de ódio não tardou em perseguir e matar tudo o que era cristão novo que lhe aparecesse pela frente incluindo crianças e bébés. Faz na 4ª Feira Quinhentos Anos que tudo isto aconteceu em Lisboa. Hans Zimmler descreve este episódio muito bem no «Último cabalista de Lisboa». Se fossemos um país um pouquinho mais desenvolvido estes factos não seriam esquecidos pelas instituições e pelos representantes do estado, assim como na Alemanha a libertação de Auschvitz e de outros campos de concentração é oficialmente lembrada. Mas infelizmente aqui só comemoramos jogos de futebol e feitos heróicos. Lembrou-se contudo o blogue http://ruadajudiaria.com/ que nos convida a estar presentes no dia 19 de Abril no Rossio e acender uma vela em memória da vítimas. EU VOU!

sexta-feira, abril 14, 2006


Na minha infinita ignorância tenho apenas certeza de uma coisa. Tenho pois a certeza que civilizacionalmente estamos mais próximos de Marrocos do que da Noruega ou da Suécia. Temos as mesmas casas baixinhas e caidadas de branco com o rebordo das portas e janelas a azul para afastar os maus espíritos. Não temos casas altas e imponentes em madeira com telhados verticais. Temos (Portugal e Marrocos) uma temperatura amena, mediterrânica e atlântica. Não temos 10 graus negativos em Abril. Temperamos a comida com sal e azeite (palavra árabe tal como Alentejo ou Algarve). Não comemos arenque com natas. Partilhamos os mesmos instrumentos musicais (adufe). Das nossas árvores brotam os mesmos frutos (azeitona, laranja...). Agora é bom não confundir democracia e liberdade ditadura e censura com diferentes civilizações. A menos que os portugueses tenham pertencido a uma civilização até 1974 e a uma outra civilização a partir do dia 25 de Abril desse ditoso ano.

quinta-feira, abril 13, 2006


O que é isso da MINHA CIVILIZAÇÃO?... Pessoalmente creio que não sou capaz de responder. Mais do que em religiões, bandeiras ou hinos que não acredito, acredito sobretudo nas pequenas coisas que gosto. A minha civilização é pois a banda desenhada que inclui os trabalhos da excelente autora iraniana Marjane Satrapi, é a literatura, a filosofia e a música de todo o mundo, repito DE TODO O MUNDO, incluindo a portuguesa, galega e espanhola. A minha civilização é o restaurante indiano da esquina onde como um fantástico biriani de legumes. A minha civilização são as ruas estreitas e as noites longas de Chefchauen (Marrocos). A minha civilização é a bica de manhã. São os blogues, as bibliotecas árabes, europeias, africanas e asiáticas. É o fim do dia com a minha mulher na sala de jantar e os miúdos na cama a dormir saudáveis. Na minha civilização tu também estás incluido Pedro, pois são os meus amigos passados, presentes e futuros, sejam eles portugueses, espanhóis, franceses, marroquinos, finlandeses ou do planeta alfa centauris. A minha civilização e a liberdade. A minha e a dos outros. A minha civilização é a justiça social. É a liberdade de me indignar contra um mundo dividido em dois hemisférios onde no norte um animal doméstico tem mais protecção do que uma criança no sul. Não sei se a resposta é errada. Não sei se isto tem alguma coisa a ver com a tal civilização. Mas é nisto tudo (e em mais nada) que acredito.
Pessah Feliz

quarta-feira, abril 12, 2006

A Europa Europeia
(resposta a Rui Pena Pires e ao seu post A Europa branca)

Nada contra a Europa “crioula” e, definitivamente, em completo desacordo com essa história da Europa “branca”. Mas pensar que a Cultura não é coisa que também se transmite “guardada no baú do enxoval” e de “geração em geração”, crendo, unicamente, que esta se resume a “um conhecimento que se aprende” (o que quer que isto queira dizer!) é das afirmações mais falaciosas e, sobretudo, ideologicamente marcadas que, sobre este tema, se pode fazer. Tão ideológica como a da “Europa branca”.

Mas o texto do Rui Pena Pires tem, para lá desta pequena artimanha ideológica, mais três pontos de interesse, dois que são ditos e um que não é dito, mas devia ser: (i) um equívoco (dito), (ii) uma estranha afirmação (dita) e (iii) um conveniente esquecimento (não dito, portanto).

(i) o equívoco – que é, em boa verdade, mais um paradoxo – prende-se com a construção da Identidade nacional. As Identidades, sejam lá elas quais forem, assentam em três pilares essenciais, que de um modo grosseiro, podem ser definidos assim: quem somos e o que é que nos caracteriza mais fundamentalmente?; o que é que dá consistência ao nosso percurso enquanto grupo, donde vimos e para onde vamos?; e de quem é que nos distinguimos? Ora, este último aspecto é inexorável e, quer o Rui Pena Pires queira quer não, a construção identitária das nações responde com “os estrangeiros” a esta última questão. Bem sei a fragilidade que o cosmopolitismo de alguns grupos sociais conferiram a esta coisa das fronteiras, mas também sei, e o Rui Pena Pires também sabe, mas parece esquecer, que há os outros, aqueles que são mais sensíveis a esta coisa dos “outros” de outras raças e/ou de outras nações. E eu não creio que a coisa lá vá por via da Educação das massas por parte do paternal Estado-Providência. No fundo o problema é bem mais complexo que o aparente diagnóstico e a receita é, indubitavelmente, mais complexa que a mera prescrição de “Europas Brancas” ou de “Europas crioulas”
(ii) a estranha afirmação tem a ver com a defesa da rápida nacionalização e europeização dos estrangeiros! Em primeiro lugar porque alguns dos “estrangeiros” são, também eles, europeus, e este aparente esquecimento é sintomático, mas muito mais estranho que isso é a propensão para o “tratamento” cultural que Rui Pena Pires parece propor para esses Bijagós das Africas selvagens! É que a minha ideia de Europa, e eu é que sou de Direita, é muito mais aberta à diferença. Não me passaria pela cabeça quer europeizar um africano ou um asiático. E isto lança-nos para o último ponto…
(iii) o conveniente esquecimento. É porque se não me passa pela cabeça europeizar um africano ou um asiático, também não admito que, ecoando de onde quer que seja, me venham forçar a abdicar de alguns dos pilares mais essenciais da minha civilização, como a liberdade de expressão (para dar o exemplo mais recente). E sobre isto, o Rui Pena Pires tão preocupado com a Europa e a sua identidade, não diz uma palavra. Não diz uma palavra sobre todos os europeus que pedem desculpa ao mundo por serem herdeiros de uma civilização que, até prova em contrário, se mostra, apesar de todos os defeitos, muito mais tolerante, solidária e livre que a maior parte das outras.

segunda-feira, abril 03, 2006

Vejam o cartaz. Segundo a Associação Fonográfica Americana os comunistas ainda comem criancinhas. E são os mentores esprirituais da pirataria. Quem é que manda nesta associação o McCarthyzinho Júnior. O cartaz é brilhante. Épico! Digno dos anos 50, período áureo da caça às bruxas. O que me vale é que nunca fotocopiei livros enquanto estava na universidade, nunca gravei nenhuma cassete e muito menos mostrei aos amigos, nunca tive cassetes vhs gravadas com filmes passados na tv, nunca saquei música, imagens, textos nem nada da internet sem pagar os justos royalties, nunca pus a cara d mickey num bolo de anos sem pagar do direito de autor à disney coitadinha!... a ideia foi roubada ao Pedro Moura, a única pessoa no mundo que me pode processar por violação do copyright que para além do mais teve a brilhante ideia de organizar uma manif anti-copyright com o pessoal empunhando cassetes, videos, fotocopias, t-shirts fotocopiadas do mckey, etc... que eu sugiro que se faça à porta da SPA. Visitem o blogue: http://aquintadoanibal.blogspot.com
Apenas me sinto "touché" em relação à última parte alusiva à Inditex, à qual até se poderia acrescentar o facto de usarem peles de animais para o fabrico de peças de vestuário, mas isso é outra história. A grande qualidade da Inditex, que é amplamente citada por um dos maiores gurus da economia na era da Internet (Daniel Castells), é a de ter aliado o design inovador à informação em tempo real sobre os resultados das vendas aos designers que podiam desenvolver novos modelos a partir daqueles que estavam a ser mais vendidos. Quanto à implantação de uma e de outro no mundo. Ó Pedro nem vale a pena conversar. Eu vou a Londres e vejo Zaras por todo o lado. Vou ao Rio de Janeiro e lá está a Zara. Não vou a Tóquio nem a Nova Iorque mas consta que também por lá existe. Quanto à exportação dos sectores de madeira excelente. Continuamos a exportar madeira (matéria prima) em bruto e a importar a madeira produto final patenteado por criadores estrangeiros (e.g.: IKEA). Como se dizia há uns anos. Exportamos cortiça e importamos rolhas. Quanto aos centros comerciais, não me parece que seja um produto muito do agrado dos nossos parceiros europeus. É que as ruas e as avenidas na Europa são demasiado bonitas para serem substituídas por esses monstros de betão. Talvez na américa latina e no leste seja um produto mais apetecível precisamente por esconder a miséria das ruas criando uma ilusão de néon aos consumidores mais abastados. Em Portugal constata-se que é também um produto de grande sucesso. É a nossa estranha forma de vida!...

A Esquerda e a sua leitura do real

O post aqui de baixo, aparentemente sobre Belmiro de Azevedo e a Sonae, é, na verdade, um post sobre a esquerda e a sua forma de ver o real. Não nos dizendo nada sobre Belmiro de Azevedo e sobre a Sonae – nada que importe, pelo menos – diz-nos bastante sobre uma certa esquerda e a sua estratégia argumentativa. A estratégia argumentativa utilizada assenta em dois pilares:

1. Menosprezar – mentindo, omitindo a verdade ou simplesmente centrando-se num defeito que se amplifica a uma dimensão que nos seja impossível ver para lá dele – aquilo a que não interessa reconhecer mérito.
2. Valorizando aquilo que, alegadamente, não tendo o defeito em torno do qual construímos a argumentação, se situa numa zona que, por insondáveis razões, pode ser elogiado.

O problema desta estratégia são os factos e a intencional desfocagem a que se força o olhar. Vejamos:

1. (Factos) Uma visita breve ao site da Sonae permitiria ao meu amigo Anarquista verificar que a Sonae está presente com a Sonae Indústria em doze países de três continentes, confirmando-se assim como um dos líderes mundiais no sector dos produtos derivados da madeira, alcançando, em 2003, um volume de negócios 1441 milhões de euros. Ou ainda que a Sonae Sierra é proprietária ou co-proprietária de 34 centros comerciais em Portugal, Espanha, Itália e Brasil, especializando-se num “produto” que, pela gestão a que obriga, só mesmo a má vontade não permite ver “inovação”.
2. (Intencional desfocagem a que se força o olhar) A Inditex, erigida no post do Bibliotecário Anarquista, como uma excelente prática, e que eu também considero um bom exemplo, serve aqui para atacar a Sonae. Mas, noutra discussão, serviria, lembrasse-se o meu amigo de olhar para as etiquetas dos produtos comercializados pela Inditex, para atacar a globalização e a exploração da mão-de-obra dos pobres desgraçados da bacia do Pacífico. Enfim, duas contas, dois pesos e duas medidas.

domingo, abril 02, 2006

O patrão da Sonae é visto em Portugal como uma espécie de mago do capitalismo. Veio do nada e construiu o maior património na actual lusitânia. Contudo pergunto apenas o seguinte. O que trouxe este capitalista de novo à economia internacional? Parece-me que atravessando a fronteira nenhuma empresa do grupo Sonae têm qualquer espécie de reconhecimento. Nenhum cidadão de badajoz ou da corunha ouviu falar na Sonae. Nada de novo trouxe à economia. Nada de inovador. Nada digno de suscitar o mínimo interesse a um comum estrangeiro, para comprar um bem ou serviço made in Sonae. Nenhuma patente internacionalmente reconhecida foi criada. Grupos económicos poderosos donos de Hipermercados, Bancos, Telecomunicações, Media e Construção Civil existem em todos os países do mundo desde os mais ricos aos mais miseráveis. Agora patentes, marcas registadas, criatividade, inovação científica e tecnológica empresarial é só para alguns...
Nos antipodas deste exemplo temos, na Galiza (uma das regiões mais pobres de espanha) o grupo Inditex. Este grupo é dono das marcas Mango, Zara, Berskha, Massimu Duti e Stradivarius. Marcas e patentes reconhecidas de Auckland a Brasília. De Tóquio a Paris. Aliou o design inovador à informação em tempo real aos designers dos modelos que mais estavam a vender em cada loja espalhada pelo mundo. Inovou e com agressividade empresarial conquistaram o mercado em todo o mundo. Creio que este pequeno exemplo serve também para ilustrar as diferenças entre Portugal e a Galiza (nem sequer comparo com Espanha) em matéria de empreendedorismo.

Saudações amigas,
O vosso anarquista,

sábado, abril 01, 2006

Pois, pois... mas dizem por aí que só conhecendo o passado podemos compreender o presente e, quiçá, antever o futuro. E eu acredito.
O curso da História
A esquerda, em nome daquilo a que chama o curso da História, gosta de (des)contextualizar historicamente todas as questões, por forma a conferir-lhes sentido; o seu sentido. Já vimos, na curta vida deste blog, o nosso amigo anarca faze-lo. Vê-lo-emos fazer mais vezes. É mais forte que eles. Fugindo do presente, a esquerda gosta da nuvem. Nós preferimos Juno em todo o seu esplendor.

[cá voltaremos...]

sexta-feira, março 31, 2006

Ilustração: Tardi em «Le cri du peuple».

Vou tentar ser breve e responder a todas as questões.

1) Questão do trabalho, criação de riqueza e SINDICATOS. Creio que é uma enorme asneira qualificar os sindicatos e os sindicalistas como uma cambada de mafiosos sem escrúpulos que vivem à custa dos trabalhadores. A mim também não me passa pela cabeça classificar todos os empresários da mesma forma. Certamente que os há humanistas, generosos e de boa vontade. Também não ponho em causa que é o trabalho, sobretudo o trabalho qualificado, criativo e inovador que produz mais riqueza. No fundo, digo com toda a frontalidade, o capital mais o trabalho produzem riqueza (e hoje em dia com a Internet já nem é necessário o capital). Agora aquilo que a sociedade de per se demonstrou que é totalmente incapaz de fazer é a distribuição dessa riqueza de uma forma justa. Ninguém põe em dúvida que a Revolução Industrial nos séculos XVIII e XIX proporcionou uma explosão da riqueza na Europa e nos EUA. Agora aquilo que o Liberalismo 1.0 (esta fui eu que inventei) foi totalmente incapaz de fazer foi a distribuição justa desse enorme bolo. O capital ficou com quase tudo e a força do trabalho sem nada. Daí o descontentamento dos trabalhadores cuja força física gerou esse espantoso aumento de riqueza, mas que continuavam a viver na miséria. Foi aí que surgiram os sindicatos. Uma força representativa destas pessoas que tanta riqueza geravam, mas nada tinham. Não tinham direitos, não tinham horários, não tinham férias, não tinham descanso, e não tinham dinheiro (a não ser o mínimo para se manterem vivos). Era uma escravatura camuflada. Hoje, graças aos sindicatos, estamos todos os dias a partir das 6h da tarde em casa com os nossos filhos, temos dias de repouso semanal, gozamos férias e temos alguns direitos. Mas também temos deveres nomeadamente de trabalhar, de produzir para o bem da empresa (sector privado) ou da comunidade (sector público).

2) Questão dos EUA e OCIDENTE. Ao contrário do grupo parlamentar do PP, sou um absoluto defensor da liberdade de expressão. E também sou defensor do direito ao bom nome e honra das pessoas. Ou seja, a liberdade de expressão termina quando começa a ofensa a alguém. Agora não defendo apenas a liberdade de expressão quando o que está em causa é a caricatura, a graça, a piada em relação aos muçulmanos, aos judeus ou aos pretos. Defendo principalmente a liberdade de expressão quando ela goza e brinca com os nossos valores mais sagrados e não com os valores mais sagrados dos outros. Convém lembrar que os cartoons nazis dos judeus publicados na Alemanha nos anos 30 ajudaram a aumentar o ódio dos alemães para com os judeus. Agora o que me faz confusão é que o grupo parlamentar do PP ponha a cabeça no cepo pela liberdade de expressão em 2006 em nome dos cartoons de Maomé e que em 2005 procure por todos os meios impedir que chegue às livrarias um livro intitulado «As mulheres não gostam de foder» em 2005 por ofensa ao pudor e a moral da maioria dos portugueses. Ou que tenham dado aval ao protesto de um grupo de católicos em 1992 que se manifestou contra a publicação no Expresso do famoso cartoon do Papa com o preservativo no nariz. Em que é que ficamos? A liberdade de expressão só serve quando é para gozar com o preto e com o mouro?... Se for para gozar com a Santa Madre Igreja já não serve?...

3) Quanto à questão do Salazar (ou Prof. Oliveira Salazar) e das cóboiadas do Bloco, que posso eu dizer? Usei a expressão Professor talvez com algum toque de ironia, mas era sobretudo para enfatizar o seu lado burocrata e não o de campónio, pois não me considero um snob, sou na verdade e com muito orgulho um servo da gleba, filho de servos da gleba e neto de servos da gleba. Sobre as coboiadas bloquistas: pois não fumo, não bebo, não como carnes… mas porque é que vocês (direitistas) gostam tanto de saber o que é que nós fazemos em casa. Bolas que é demais?... Gostam muito da liberdade, mas a espreitar pelo buraco da fechadura, não é?



[Dicionário Epicurista, #2] CPE
A posição da esquerda relativamente ao CPE tem várias explicações, mas só tem um nome: Conservadorismo Populista de Esquerda.

Resposta ao post aí de baixo

Numa coisa (em mais, mas pelo menos nesta é evidente) estamos de acordo: uma imagem vale mais que mil palavras. E a imagem que escolheste para ilustrar o teu post de resposta à questão dos super-heróis é particularmente esclarecedora. Um altivo “professor” de dedo espetado e colete… vermelho! Registo a “lição”, concordo com algumas coisas, mas parto imediatamente para o que interessa: as alfinetadas e os esclarecimentos sobre as nossas reais discordâncias e não sobre as ficções esquerdistas das nossas divergências.

Sabes que gosto dos Estados Unidos (gosto, de resto, globalmente, do Ocidente). E folgo em ver que, na tua tentativa de, subliminarmente, maldizeres os super-heróis maldizendo uma certa american way of thought, acabas por lhes reconhecer méritos incontornáveis: nomeadamente o de sempre terem estado contra o totalitarismo e as tentativas de aniquilamento do indivíduo, viessem essas tentativas dos vermelhos, dos nazis ou dos fundamentalistas islâmicos. É, por si só, um bom princípio!

Quanto a essas coisas que dizes sobre os valores “mais caros à Direita” e sobre a caricatura que lhe fazes, nomeadamente os da castidade, o de não olharem a meios para atingir os fins, o de não acreditar nos tribunais e no direito dos arguidos, o considerar o campónio (a quem chamas, estranhamente, usando uma deferência que espanta, de Prof. Oliveira Salazar) como o pai da Direita portuguesa, etc. e tal, nem sei que te diga… pareces os self-righteous do Bloco a quem tudo o que não cheira a charro e a cobóiada homossexual cheira a mofo e a fascismo. Ora “como sabes que eu sei” que tu não és assim e como eu “sei que sabes” que eu não sou assim, conversaremos mais detalhadamente sobre um pano de fundo menos caricatural.