quinta-feira, março 30, 2006

Os super-heróis e a Utopia.
Nota prévia: O anarca das bibliotecas é que formatou o aspecto cá do tasco e este super-homem amaricado que pontifica sobre o meu primeiro post é da sua exclusiva responsabilidade. Mas devo, desde já, deixar claro: esta coisa de super-heróis musculados, com fatos de lycra colados ao corpo é coisa um bocado abichanada que eu não subscrevo de todo.

Eu sei que certa esquerda, agora, por conveniência, anda toda enamorada com a causa gay e que, culturalmente, tem procurado contribuir para a hegemonia dessa estética, mas a escolha dos super-heróis é, aparte este fait-diver contemporâneo – esta coisa do orgulho na orientação sexual acabará por lhes passar quando crescerem e, sobretudo, quando perceberem que a maioria, ao contrário do que dizem, se está nas tintas para o que eles fazem na expressão íntima dos seus afectos -, é, como dizia, algo mais estrutural da forma como “eles” (os esquerdistas) olham o mundo. A esquerda é rica em mitos do tipo: “amanhãs que cantam”. E os super-heróis são a expressão primária do desejo de que uma entidade exterior ao indivíduo o proteja contra os males da vida quotidiana. Os super-heróis não existem, e portanto a esquerda, contra os “malévolos poderosos” erigiu um Estado que mais que um mero garante do cumprimento da justiça e detentor do monopólio do exercício legítimo da violência é um Pai protector. Um super-herói. Ora eu não acredito em super-heróis. Acredito em heróis que, todos os dias, entre outras lutas, travam a que os opõem a uma corte de burocratas maliciosos e mafiosos, que o empurram de guichet em guichet, forçando-o a viver num labirinto sem aparente saída; qual K, o Agrimensor.

2 Comments:

Blogger O bibliotecário anarquista said...

Os amanhãs cantarão a história da criação e utilização abusiva dos super heróis pela grande pátria conservadora norte americana.

1:34 p.m.  
Blogger Mário Almeida said...

isto promete ... :-)

12:12 a.m.  

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