
Bom! Quanto à crítica que fazes ao Tariq Ali o que é que posso dizer. Eu também sou de esquerda e apesar de não concordar com a política externa do Tony Blair (que também é de esquerda) não me importava nada de viver em Londres. De estudar em Oxford. Bastava arranjar um trabalho a servir cafés na cafetaria da British Library e ia logo. Também não gosto do Bush e se pudesse escolher um país para morar, morava nos Estados Unidos. É lá que estão os melhores professores e os melhores cientistas do mundo na minha área (que felizmente não são republicanos). É lá que ainda existem as melhores bibliotecas e onde o trabalho de bibliotecário se processa com maiores índices de qualidade. É lá que existem mais investimentos públicos em bibliotecas em todo o mundo (apesar de ter decaído umas valentes décimas durante a administração Bush). Por este motivo e só por este motivo acho que o artigo do João Pereira Coutinho é mau. É muito mau. “Engordar em Londres”? É baixo! É a inexistência total de argumentos. O João Pereiro Coutinho só não engorda em Londres ou em Nova Iorque porque não pode. Porque tal como eu não tem competência nem para a servir cafés no bar do The Guardian. Agora o desejo de trabalhar em Londres ou em Nova Iorque não se pode confundir com o fim da liberdade de expressão. Não passo a ser um pateta sem opinião e sem motivos de crítica para com os países para onde gostaria de ir, estilo actores das telenovelas brasileiras quando chegam a Portugal, só porque desejo lá viver. Então não são vocês, guardiões da civilização que tanto defendem a suprema liberdade de expressão. NÃO DIZER MAL DO PAÍS DE ACOLHIMENTO é uma (a primeira de muitas) excepção? «Defendemos a liberdade de expressão mas:
Não se pode dizer mal de nada na Inglaterra e viver em Inglaterra
Não se pode desenhar preservativos no nariz do Papa...»
Na verdade até é possível que concorde com as opiniões do Tariq Ali. Não é preciso ser um visionário para perceber que os Brasileiros que continuam a viver em condomínios estilo Rocinha (que devem ser cerca de 50% dos brasileiros) têm piores condições de vida do que a media da população de Cuba ou da Venezuela. Não o posso afirmar com total segurança, pois não possuo dados concretos, mas não me admirava nada. Não me admirava que a esperança de vida, a assistência médica o acesso à educação entre outros direitos fundamentais, sejam muito superiores na Venezuela e em Cuba que no Brasil. Conheço mais dentistas portugueses com pós graduações em Cuba, do que todas as carreiras juntas no Brasil. Também não é à toa que a esquerda brasileira já chama de traidor ao Lula. Na verdade tenho de ler mais artigos do Boaventura Sousa Santos que escreve muito bem sobre a sociedade braseira.

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